Um empregado de limpeza em Paris, uma enfermeira em Manchester, um engenheiro em Houston: todos os meses, milhões de membros da diáspora africana enviam parte dos seus rendimentos aos familiares que ficaram em casa. Em conjunto, essas transferências estão entre os maiores fluxos financeiros para o continente e, em vários países, ultrapassam a ajuda pública ao desenvolvimento.
Mais do que dinheiro
As remessas pagam propinas, rendas, contas de hospital e, cada vez mais, pequenos negócios. Ao contrário do investimento vindo do exterior, vão diretamente para as famílias, razão pela qual os economistas as descrevem como uma espécie de rede de segurança social privada. Tendem também a resistir quando outros fluxos desaparecem.
Como viaja uma transferência
Uma transferência começa numa aplicação, num site ou num balcão no país de envio. Quem envia paga numa moeda; um prestador converte-a, passa a instrução a um parceiro no país de destino e paga em dinheiro, numa carteira móvel ou numa conta bancária. Cada etapa tem um preço: uma comissão, uma margem na taxa de câmbio, a parte de um parceiro. A comissão visível é muitas vezes a parte mais pequena.
O custo de enviar
Enviar dinheiro para África é caro. As comissões em muitas rotas estão entre as mais altas do mundo, por causa da concorrência limitada, das redes baseadas em dinheiro vivo e do custo de converter entre moedas. As Nações Unidas fixaram como meta reduzir o custo médio de envio de remessas para menos de três por cento; na maioria dos corredores africanos, a distância continua a ser grande.
O dinheiro móvel e os serviços de transferência digital estão a reduzi-la. Enviar para uma carteira de telemóvel é muitas vezes mais barato e mais rápido do que levantar dinheiro num balcão, e deixa um registo que mais tarde pode ajudar o destinatário a aceder a poupança ou crédito.
O que a política pode mudar
Alguns custos são estruturais. Em muitos corredores, um punhado de operadores tem acordos de exclusividade com os agentes que pagam em dinheiro, o que limita a concorrência. Os reguladores podem abrir esses mercados, permitir que mais prestadores se liguem entre si e tornar obrigatórias ferramentas de comparação para que quem envia veja o custo real antes de pagar.
A melhor remessa é a que chega por inteiro.
O que acompanhar
Três coisas decidirão se as remessas fazem mais pelo desenvolvimento: comissões mais baixas, formas mais fáceis de transformar transferências em poupança e investimento, e uma regulação que proteja quem envia sem afastar os pequenos operadores. O Diaspora Desk acompanhará as três.