Dinheiro móvel: a discreta revolução financeira do continente
Desde que o M-Pesa foi lançado no Quénia em 2007, os pagamentos por telemóvel chegaram a pessoas que os bancos nunca alcançaram. Um ponto da situação sobre como funciona, quem o usa e para onde vai a seguir.
Por Thandiwe Mokoena · Nairobi
11 de outubro de 2026 às 10:00
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Pagar numa banca de mercado com o telemóvel.AI-generated illustration
Quando o M-Pesa foi lançado no Quénia em 2007, oferecia algo simples: uma forma de enviar dinheiro para outro telemóvel e de o transformar de novo em dinheiro vivo num agente próximo. Não exigia conta bancária, balcão nem papelada. Hoje, a África Subsariana alberga cerca de metade das contas de dinheiro móvel registadas em todo o mundo.
Como funciona
Um cliente deposita dinheiro num agente local, que credita o montante na carteira de telemóvel do cliente. A partir daí, o dinheiro pode ser enviado, usado para pagar bens ou contas, ou levantado em qualquer agente. Os agentes, milhares de pequenos quiosques e lojas, são a verdadeira rede: é por causa deles que o sistema funciona onde as agências bancárias nunca chegaram.
Os agentes têm de ter à mão dinheiro vivo e saldo eletrónico. Ficar sem um deles é uma das frustrações mais comuns: um cliente pode não conseguir levantar dinheiro que já está no telemóvel porque o agente mais próximo está sem numerário. Os prestadores investem muito na gestão desta tesouraria, e a qualidade da rede de agentes é muitas vezes o que distingue um serviço de outro.
Um quiosque de agente de dinheiro móvel numa rua da cidade. · AI-generated illustration
Para além dos pagamentos
Quando as pessoas têm uma carteira, seguem-se outros serviços: contas de poupança, pequenos empréstimos, seguros e energia solar paga ao uso. Para agricultores e comerciantes com rendimentos irregulares, um registo de transações pode tornar-se, pela primeira vez, um historial de crédito.
Os riscos
O crescimento rápido traz riscos reais: fraude, agentes pouco fiáveis, comissões pouco claras e, para os reguladores, o desafio de supervisionar prestadores que são em parte operadores de telecomunicações e em parte bancos. A interoperabilidade, a capacidade de enviar dinheiro entre prestadores diferentes, continua desigual.
Os reguladores de muitos países responderam exigindo que os prestadores mantenham os saldos dos clientes em contas protegidas em bancos comerciais, fixando limites às transações e exigindo uma divulgação mais clara das comissões. O objetivo é manter a simplicidade do sistema garantindo ao mesmo tempo a segurança das poupanças das pessoas.
O acesso é o início da inclusão, não o fim.
O próximo capítulo é transfronteiriço: ligar carteiras entre países para que um comerciante numa capital possa pagar a um fornecedor noutra tão facilmente como paga a um vizinho. Se funcionar, o dinheiro móvel fará pelo comércio africano o que já fez pelas famílias africanas.